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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Comentários de Laila Handam por sobre Jansen

O nosso português
É! O português falado no Brasil permite que se calce uma bota
e que se bote uma calça. É complicado.
O português praticado no Brasil não é para amadores, nem puristas...
Na recepção dum salão de convenções, em Fortaleza:
- Por favor, gostaria de fazer minha inscrição para o Congresso.
- Pelo seu sotaque vejo que o senhor não é brasileiro. O senhor é de onde?
- Sou de Maputo, Moçambique.
- Da África, né?
- Sim, sim, da África.
- Aqui está cheio de africanos, vindo de toda parte do mundo. O mundo está cheio de africanos.
- É verdade. Mas se pensar bem, veremos que todos somos africanos, pois a África é o berço antropológico da humanidade...
- Pronto, tem uma palestra agora na sala meia oito.
- Desculpe, qual sala?
- Meia oito.
- Podes escrever?
- Não sabe o que é meia oito? Sessenta e oito, assim, veja: 68.
- Ah, entendi, meia é seis.
- Isso mesmo, meia é seis. Mas não vá embora, só mais uma informação:
A organização
do Congresso está cobrando uma pequena taxa para quem quiser ficar com o material:
DVD, apostilas, etc., gostaria de encomendar?
- Quanto tenho que pagar?
- Dez reais. Mas estrangeiros e estudantes pagam meia.
- Hmmm! que bom. Ai está: seis reais.
- Não, o senhor paga meia. Só cinco, entende?
- Pago meia? Só cinco? Meia é cinco?
- Isso, meia é cinco.
- Tá bom, meia é cinco.
- Cuidado para não se atrasar, a palestra começa às nove e meia.
- Então já começou há quinze minutos, são nove e vinte.
- Não, ainda faltam dez minutos. Como falei, só começa às nove e meia.
- Pensei que fosse as 9:05, pois meia não é cinco? Você pode escrever aqui a hora que começa?
- Nove e meia, assim, veja: 9:30
- Ah, entendi, meia é trinta.
- Isso, mesmo, nove e trinta. Mais uma coisa senhor, tenho aqui um folder de um hotel que está fazendo um preço especial para os congressistas, o senhor já está hospedado?
- Sim, já estou na casa de um amigo.
- Em que bairro?
- No Trinta Bocas.
- Trinta bocas? Não existe esse bairro em Fortaleza, não seria no Seis Bocas?
- Isso mesmo, no bairro Meia Boca.
- Não é meia boca, é um bairro nobre.
- Então deve ser cinco bocas.
- Não, Seis Bocas, entende, Seis Bocas. Chamam assim porque há um encontro de seis ruas, por isso seis bocas. Entendeu?
- E há quem possa entender?


Esse texto é de autoria de Jansen Viana, em http://www.recantodasletras.com.br/cronicas/4001596

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Artigo I (fragmentos consistentes)


Representação barroca das ruínas do mundo contemporâneo

Maria do Carmo O. M. Santos

(...) A seqüência de nomes, estrategicamente, torna-se economia de palavras, deixando lacunas para que o leitor atento e, usando o método de montagem, possa vislumbrar a cidade.  As lacunas, os espaços brancos e os cortes na narrativa alegorizam, além da incapacidade do ser humano de se sentir inteiro no meio urbano, a incapacidade da linguagem de expressar o sentimento do homem nesse espaço multifacetado. As alegorias urbanas, na obra, são concebidas sob o olhar crítico do autor implícito que as percebe pelas ruínas, pelos cacos selecionados. O texto, pautado nas minúcias do cotidiano, aparentemente simples, retrata as condições precárias da vida urbana de seus personagens, convertendo a cidade numa alegoria dos vícios sociais. Assim, na acepção benjaminiana, os contrastes vivenciados numa metrópole possibilitam ver na alegoria sua fundamental característica: a ruína, os destroços.
Na escritura, os textos polifônicos remetem à pluralidade barroca, caracterizada pela multiplicidade de personagens e pelos diversos discursos que perpassam toda a obra. Ricos, pobres, miseráveis, prostitutas, magnatas: vozes que se imbricam num rebuscamento textual, marcando a polifonia. Nessa perspectiva, a narrativa se faz flutuante pelas oscilações vocais e pela constante mudança do foco narrativo, de primeira a terceira pessoa e vice-versa, ilustrando o movimento percebido nas artes barrocas.
Os múltiplos elementos constitutivos do cotidiano e a estratégia usada de narrá-los indiscriminadamente, um ao lado do outro, representam o caos urbano. Alegoricamente, a coleta desses elementos e a disposição de anúncios de jornais, menu gastronômico, descrição de ambientes, relação de objetos observados, orações, textos vários, inseridos no meio dos episódios,  traduzem a visibilidade social caótica do espaço urbano. O próprio deslocamento desses elementos, fazendo-os aparecer fora de seu contexto, possibilita interpretações alegóricas.
Porém, toda a fragmentação encontrada na superficialidade do conturbado mundo da cidade grande, espaço híbrido de personagens e de objetos, resume-se quase no final da obra a uma página preta, fazendo do silêncio um recurso de linguagem. Subversivamente, não uma página branca, que poderia remeter ao vazio, mas a página preta, que faz lembrar as infinidades de histórias ainda não contadas. Diante dessa página, o leitor sente-se incomodado, tentando  abri-la, pois, dentro dela, muitos outros elementos ou personagens, ainda no anonimato, se escondem, alegoricamente elegendo a cidade como um espaço plural e excludente ao mesmo tempo.

            Assim, diante de todo o realismo social,  emerge o rebuscamento como revelação do conflito, o que realça as contradições do espaço urbano. A linguagem paradoxalmente simples e rebuscada, com a mistura de narrativas carregadas de neologismo ao lado da oralidade ou dos verbetes eruditos; os jogos de palavras, a brincadeira com o grafismo e a subversão da pontuação compõem o barroco benjaminiano presente em  eles eram muitos cavalos. Ressalta-se que o contraponto dessa aproximação seria o tom salvacionista no pensamento de Benjamin, que deixa entrever no seu discurso uma possibilidade  de um mundo futuro desalienado e redimido. Mesmo que, muitas vezes, o processo de escrita possa ser interpretado como uma esperança de remissão, isto não fica claro no mundo caótico de fragmentos irreconciliáveis da sociedade contemporânea, descrito por Ruffato.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Bienal Minas




Aos leitores, de dois em dois anos,
Acontecimento para cada memória:
- A chance que todos esperamos!
a Bienal de Minas cheia de histórias.


Acessem e cadastrem-se.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Madu, presença confirmada.


Madu Santos é canceriana, (16/07) com todas as pieguices e sensibilidades próprias de quem nasce neste signo. É Santabarbarense, batizada nas águas geladas do Caraça, católica e devota de todos os santos, característica cultural de quem nasce nesta cidade histórica. É colecionadora de várias coisas, principalmente de afetos...

Doutoranda em Literaturas de Língua Portuguesa com o Projeto de Tese,  Carlos e Mário”:  análise de sua correspondência sob a perspectiva do público e do privado, e mestre em Literaturas de Língua Portuguesa, linha de pesquisa, Literatura Contemporânea Comparada. Como Pesquisadora do CNPQ,  participou de diversos projetos de pesquisas, como:  Lugares críticos:  exclusão e resistência na literatura latino- americana.(PUC-MINAS), Intelectuais e vida pública (UFMG),  Da rua: olhares sobre a história da literatura brasileira (PUC-Minas). Coordenou o projeto de pesquisa, Imagens de nação: uma leitura das imagens de nação nas crônicas de “Macaco Simão”, Projeto interdisciplinar Literatura/Jornalismo, financiado pela Coping – Centro Universitário Newton Paiva (2004-2005). 

Atualmente, “dá aulas”, ou melhor, “vende seu capital intelectual” para o Centro Universitário Newton Paiva, participa do GEPOM – Grupo de pesquisa de Poesias da modernidade. É “Do Lar”, independente, solteira...estuda, trabalha, cuida de si...adora acordar cedo, momento em que dedica à sua escrita. Como lazer, gosta das caminhadas e corridas matinais, gosta de fazer trilhas a pé, adora dançar (qualquer ritmo de dança de salão) e ama viajar, aventurando por outras culturas.Tem inúmeros defeitos, porém estes ela não conta: vocês terão de descobrir pela escrita, pois todo discurso revela traços que até nós mesmos desconhecemos... 

terça-feira, 1 de maio de 2012

Nossa Primeira Colaboradora Oficial



Mestre em Literaturas de Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Brasil (2002). Graduada em Letras pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Brasil (1999). Pós-graduada em Consultoria Empresarial pelo Centro Universitário Newton Paiva, Brasil (2006). Atuação em Língua Portuguesa, Literaturas de Língua Portuguesa, Teoria Literária e Introdução aos Estudos Linguísticos. Professor Adjunto I do Centro Universitário Newton Paiva, Brasil. 

Shirley Maria